Kamov K32 CS-HMO : Uma espécie de homenagem…

 

Já nem me recordo em que ano foi, mas é certo que, durante a minha “infância/adolescência” , passada num quartel de Bombeiros ( passei lá quase todas as tardes, férias, fins de semana dos 5 aos 16 anos ) , a construção da Heli-Pista foi um dos momentos altos e mais marcantes da minha vida.

Sempre fui, e serei, aficionado da aviação, onde a vertente dos meios aéreos de combates aos incêndios foi sempre a que mais me cativou.  Recentemente ( inícios de 2010 ) pude investir numa DSLR e evoluir num outro hobbie de longa data: Fotografia.  Assim, depressa, passei de um mero observador, para um fotografo que “persegue” este tipo de meios aéreos, e sempre que possível, faço registos fotográficos, para de certa forma imortalizar as máquinas e os homens. Uns meses mais tarde, resultante da colaboração com material “Editorial”  com algumas agências, o número de registos deste tipo de aeronaves triplicou.Kamov K32A

Tendo em consideração o que referi acima, nestes 2 últimos anos, tenho efectuado bastantes registos, onde a grande maioria é direcionada a uma aeronave em especial: Kamov K32. Como vivo em Pombal, e em grande parte tenho feito os registos na zona centro, com muita frequência tenho tido “encontros” com as seguintes aeronaves : CS-HMO e CS-HMN. Na brincadeira costumo descrever os mesmo como “Grandes, Fortes e Feios”. Aliás, olhando às aeronaves de fabrico Russo, são termos que se aplicam na totalidade.  Estes modelos são operados pela EMA ( Empresa de Meios Aéreos, S.A. ) . As características técnicas do aparelho podem ser consultadas AQUI.

Em 2010, o registo mais importante, ou pelo menos o 1º onde efetivamente andei alguns km’s à procura de um spot para registo de um Kamov, foi durante um incêndio de grandes dimensões em Penela, com o “SET”  Canon 450D + Canon 55-250 IS, tive a sorte ( ou não ) de os mesmos estarem a fazer scooping ( carregar o balde com água ), numa ETAR ali perto.

Um pequeno à parte sobre esta “excelente” lente de kit, que entretanto já vendi ( com muita pena ), pois tinha um bom desempenho, focagem média e uma excelente qualidade mesmo na abertura máxima ( nas diversas focais ). Vejo muitos “fotógrafos” sempre com a necessidade de trocar as lentes de kit ( por norma a 18-55 IS e a  55-250 IS ), mas na realidade nunca devem ter explorado a capacidade desta lente, que por mim só pecava por falta de USM e uma abertura máxima fixa. Para este tipo de registos chega e sobra, só sendo necessário uma focal maior por questões de segurança.

Kamov K32

Kamov – K32 – CS-HMO ( Penela 2010 )

Voltando ao Kamov.. destaquei estes registos em 2010, porque foi a 1ª vez que estive tão perto de um deles, e pude confirmar que os Russos fazem valer o lema que mencionei acima (“grande, forte e feio”). Quando digo “perto”, era porque conseguia ver a cara do piloto, talvez surpreso por ver alguém em cima de um muro, tão próximo de tal operação. É muito comum ver inúmeros curiosos em cima do acontecimento, mas depressa “fogem” ao enfrentar o vento, barulho de um aeronave deste “calibre”. Agora se para alguns isto é o suficiente para dar uns passos atrás, já eu, que, assisti a inúmeras operações na “pequena e fechada” heli-pista de Figueiró dos Vinhos ( dentro do quartel e mais tarde movida para outra zona da Vila ), onde a primeira aeronave era um Mil Mi-2, acho que o Kamov larga uma ligeira “brisa” nas aproximações ao solo.

Neste dia “cruzei-me a 1ª vez com o Kamov matriculado CS-HMO e fiz alguns registos do mesmo.

Durante 2011, com um ano “negro” para o concelho de Pombal, acompanhei maioritariamente os incêndios de cá, e raramente registei um Kamov, exceção feita a um incêndio de grandes dimensões obrigou à deslocação do CS-HMN.

Em 2012, em dois locais diferentes, cruzei novamente com o CS-HMO, perto do Avelar ( Ansião ) eKamov K32 já munido da Sigma 120-400, reparei que o mesmo iria fazer scooping numa lagoa deveras conhecida. Agora, não sei se foi aquela vontade de estar próximo desta bela maquina, ou se foi puro esquecimento, aproximei-me demasiado perto, e antes de fotografar vi a cara do co-piloto, olhos nos olhos, e quase li o pensamento do mesmo: “O que raio está ali a fazer aquele louco?”

Ora bem, dada a aproximação do mesmo, julguei que ia entrar direto, mas precisou de uma volta adicional para baixar, e com o balde, passou a poucos metros da minha santa cabeça ( deve ter sido menos, mas prefiro pensar que a margem foi enorme. Moral da História, um vento e banho desnecessários , visto ter uma tele-objetiva razoável, e pouca margem para o enquadramento. Mas valeu pelo sensação, pelo cheiro a JET-A1… Até fechei os olhos.

Pouco tempo depois, e com uma certa “ironia macabra”, tive o ultimo encontro com o CS-HMO, em Pombal. Digo-o, porque foi precisamente nesse incêndio que encontrei um amigo de longa data a combater esse incêndio. Tragicamente, umas semanas mais tarde, esse mesmo bombeiro perde a vida a combater um incêndio, Em Figueiró dos Vinhos, e pouco depois o CS-HMO despenhou-se, por causas ainda não apuradas, onde podemos ressalvar o facto mais importante: Os pilotos saíram ilesos, estando nesta altura à frente de uma outra maquina, a fazer aquilo que mais gostam.Kamov K32

Kamov – K32 – CS-HMO ( Pombal 2012 )

Da minha parte, irei sempre acompanhar estes tipo de aeronaves, muito importantes num cenário de incêndios florestais, mesmo que só seja pelo registo de algo que me fascina. Só estando mesmo numa frente de um incêndio para perceber a importância e o excelente trabalho destas aeronaves.

Paulo M. F. Pires

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